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Anúncios maliciosos na internet são um problema antigo, tanto que ganhou nome: malvertising. Se for para resumir, um malvertising nada mais é do que um anúncio que propaga malwares. Mas, hoje, esse tipo de anúncio é evoluído o bastante para atender a vários propósitos distintos, especialmente capturar dados, aplicar golpes e comercializar produtos ilegais.

Não é difícil identificar anúncios maliciosos. Os mais clássicos, por assim dizer, dizem que você vai receber um prêmio por ser o visitante de número 1 milhão daquela página, afirmam que o seu computador está com vírus e oferecem uma fórmula mágica para você ganhar dinheiro enquanto dorme.

Geralmente, esses anúncios são exibidos em sites de qualidade duvidosa, como aqueles que disponibilizam conteúdo adulto ou distribuem links para downloads ilegais. O problema é que ninguém espera que anúncios maliciosos apareceram em sites ou serviços com boa reputação. Mas, de vez em quando, eles aparecem.

No Facebook, anúncios sobre lojas falsas surgem todos os dias. Vez ou outra, o Twitter também exibe publicidade perigosa. Há inúmeros mecanismos de controle, mesmo assim, nenhum site que trabalha com anúncios está imune ao malvertising.

Como os anúncios maliciosos vão parar lá?

Os anúncios que você encontra na web, nas redes sociais e em outros serviços online quase sempre são controlados por redes de publicidade que lidam com muito tráfego. As empresas responsáveis normalmente estabelecem critérios rígidos de segurança e qualidade para evitar que anúncios sejam usados para disseminar malwares, promover produtos proibidos, divulgar esquemas fraudulentos e por aí vai.

Há um ditado que diz que uma regra serve para ser quebrada, o que indica que um conjunto rígido de critérios não é suficiente para combater o malvertising. Mecanismos de controle são igualmente importantes. A barreira mais eficiente é a análise humana, mas é inviável manter um exército gigantesco de pessoas para aprovar (ou reprovar) cada anúncio, por isso, as redes de publicidade também empregam tecnologias de filtragem.

Com serviços como AdWords e DoubleClick, o Google controla a maior parte dos anúncios veiculados na internet, seja em seus próprios serviços, seja em sites parceiros. A companhia afirma ter bloqueado, só em 2015, 780 milhões de anúncios maliciosos graças à combinação de algoritmos sofisticados com os esforços de uma equipe com mais de mil analistas.

Em outras redes também há esse tipo de controle, mas como a quantidade de anúncios que aparece todos os dias é gigantesca, muitos anúncios maliciosos acabam passando pelos filtros. Sem contar que os responsáveis por esses anúncios também se aperfeiçoam: um dos vários truques usados por eles recentemente para conseguir aprovação é registrar domínios expirados que outrora pertenceram a empresas de publicidade.

Mas o pior problema, receio, é a “cegueira intencional”: não é raro uma rede de publicidade ou um veículo fazer vista grossa para anúncios maliciosos por conta da expectativa de boa remuneração. Também há empresas do ramo que simplesmente têm regras menos rígidas, fazendo anúncios potencialmente perigosos serem, tecnicamente, legítimos.

No Brasil, um exemplo notável de anúncio prejudicial, mas legítimo do ponto de vista técnico, foi o da Neon Eletro. Entre 2012 e 2013, a loja veiculou anúncios na página principal do UOL promovendo produtos eletrônicos com preços muito abaixo da média. Os anúncios da loja não disseminavam malwares ou tentavam capturar dados do usuário. Mas os preços irreais oferecidos só podiam indicar uma coisa: fraude.

Era fraude mesmo, tanto que o site saiu do ar pouco tempo. Mas como os anúncios eram exibidos em um grande portal (além de outros veículos, como o SBT), muita gente acreditou nas ofertas. Ninguém espera que veículos grandes e sérios submetam seus visitantes a esse tipo de risco.

Fonte: TecnoBlog

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